segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Solteira em Nova York - Parte Dois.

Óh droga! Sexta-feira, folga no trabalho. Odiava ficar em casa sozinha, não havia nada pra se fazer ali. Decidi morar sozinha, mas nunca encarei de fato a solidão, já que vivia entupida de tarefas matinais.
Sem nada para fazer retirei algumas coisas das caixas. Devia começar a desfazer a mudança há séculos, mas nunca me sobrara tempo para aquilo tudo.
Encontrei porta-retratos bem velhos, e umas fotos que jamais lembrara de tê-las tirado em toda minha vida.
- Olha eu e Maycon. - disse pensando alto assim que lembrava dos momentos, do passado e do que ocorrera naquele instante da foto.
Mexendo mais entre as caixas encontrei algo bem estranho. Encontrei meu vestido de primavera manchado com café. Dentro de seu bolso havia o dinheiro para a lavagem. Daquilo eu lembrava com clareza, acontecera a uns meses atrás. Difícil de esquecer aquele sorriso perfeito e descontraído.
Guardei tudo na caixa de volta, menos o vestido, o qual fiz questão de levar a tal lavanderia mais tarde.
Coloquei as tais moedas nas máquinas de lavagem e então o processo começou. Sentei me numa cadeira ali próxima e fiquei a ler uma revista da Capricho. Distraída nem notei quando a máquina desligou automaticamente indicando que a lavagem estava concluída.
Fiquei sentada ali durante horas, nem sei, perdi a noção do tempo. Quando um rapaz louro apareceu aflito.
- Olá?
- Oi. - abaixei a revista a colocando em meu colo para poder olhá-lo - Conheço você?
- Não. Na verdade, eu trabalho aqui, e bom... Você não deve ter percebido, mas há outras pessoas querendo usar...
Ele disparou o olhar para a máquina e depois para mim. Seu olhos eram tão claros para a água cristalina, uma loucura só de se ver.
- Ah sim. - assenti meio zonza - Desculpe-me, me entreti. Perdão.
- Tudo bem. - ele sorriu.
Sorri também, retirei as roupas da máquina de lavar, as colocando num saco plástico.
- A senhora tem o cartão da nossa lavanderia? - ele me seguia enquanto falava.
Cruzei a bancada e então notei que ele falava comigo.
- Oi.
Ele riu sozinho, devia haver uma piada naquilo.
- A senhora tem o cartão daqui?
- Cartão?! Crédito?
- Não, não. - ele riu novamente baixinho e disse por fim: - Cartão... Um que tem o número daqui no verso?
- Pra quê? Eu moro a três quadras daqui.
- Ok.
Sorri.
- Pensei que você não gostasse de ficar esperando. Bom, você pareceu meio distante e...
- Não, é que eu me distraio fácil.
Nossa! Ele era mesmo muito lindo, e pelo sinal tinha um bom gosto. Tirando a camisa que fazia parte do uniforme, a qual todos os funcionários dali usavam. Algo naquele modelito me chamou a atenção. Passei os olhos pela calça caqui, pelos sapatos, e corei ao ver que ele olhava pra mim imprencionado.
- Bom, - gaguejei.- Muito obrigada.
- Não há de quê. Não vai levar o cartão? Fazemos entrega em domicilio.
Ele piscou. O danado piscou! Acredita? Não seria um cretino, aliás eu o olhava dos pés à cabeça ha alguns minutos atrás, não me parecia errado ele me jogar um chaveco, afinal eu era solteira e... ele era absolutamente lindo.
O tal rapaz me passou um cartão. Sorri meia boba, meia louca. Caracas, fazia muito tempo que ninguém piscava pra mim! Acho que minha vida de cantar chefe e funcionários da minha empresa estava por acabar... AHA!
Saí da lavanderia quase correndo; após pegar o cartão, é lógico. Não queria perder aquela chance por nada! Bom, era um funcionário de lá, então quando eu ligasse pedindo uma entrega ele iria em meu domicílio entregar. Olha que chique! Imagina...
"Garota namora rapaz da lavanderia" - a fofoca do prédio. Já imaginou?




Solteira em Nova York - Parte Um.

3 comentários:

  1. Hum, valeu a pena não ter dado certo com o outro. Agora ela achou um provavelmente melhor, não?


    Beijos.

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  2. Gostei! Continua, continua :P haha

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