quarta-feira, 21 de abril de 2010

Despedida II


Ao que largou a pena da mão, Lívia sabia que não conseguiria cometer justo homicídio. Ela devia ser forte para tal, coisa que ela não era mais.
O amor veio quebrando suas pernas. Lhe enlouqueceu aos poucos. Fez de si outro alguém...
lhe envolveu em meras fantasias; sugou seu amor, sua paixão pela vida. Lhe decepcionou ao mesmo tempo que a ensinou a ver a vida de outra forma; lhe ensinou o quão falsas são as pessoas, e interesseiras também. Lhe mostrou quão lindo é o momento da recaída; quando nos damos de cara ao chão e quando nada se tem, vemos quem são realmente as pessoas por nós. Somente aquelas que realmente nos honram nos dão a mão para subir um degrau de cada vez. Sabe quem são? Graças se rendam a quem as tem... a família. Os pais são os melhores amigos; aqueles que quando você está horrível lhe põe para cima, mesmo que numa agradável mentira.
Ahhh... a sinceridade machuca... Fere um coração doentio.

- Diga-me o que eu quero ouvir, Eduardo! - gritou Lívia aos prantos, desesperada, quase a se jogar aos seus pés...

Caro leitor, não é fraqueza que exponho em minha personagem. O amor, se você o bem conhece... ele tem poder sobre nós, se não nos joga ao chão no sentido literal da palavra, então nos empurra metaforicamente ao profundo poço. Ingratidão, ele a retribuiu. Ironia é o primeiro passo para o fracasso.

- O que quer ouvir? - deu de desentendido.

Escrevo pois, ao mesmo instante que penso em apagar certos caracteres de meu texto... Poderia finalizar com um final feliz; porém falso, logo aviso. Sou cruel? Não... Garanto-lhe se todos os narradores fossem tão realistas quanto eu, não haveria fantasia, e a bela mocinha que os cabelos dourados penteia, não dormiria a imaginar ser acordada por um beijo de um belo príncipe.
Ah... contos de fadas me dão enjoou. Mais falsos que eles, são os homens - homens palavra geral, apesar de feminista não gosto de generalizar. Creio que haja mulheres tão repugnantes como todos os amores que estou disposta a narrar até o resto de meus dias; providos de um amor nada vivido de toda a minha vida. Só tive amores assim... repugnantes. Amores tive? Não. Amores dei. Apenas eu. Amores não recebi. Pois corrijo: Amores dei à amados repugnantes. Pronto, melhor. [...]
Continuando, - velha mania de me interromper, peço-lhe mil desculpas, caro leitor.
Eduardo era tão místico. Meio garoto, meio moleque. Homem... não. Homem não era. Mostrava alguns pêlos no rosto, mas nada dizia sobre sua maturidade. Imaturo. Criança. Lívia foi para ele mais que toda mulher poderia ser. Melhor de todas. Amor não lhe deixou faltar, apesar de seus apesares; tinha lá seus defeitos, assim como ele; mas o amou incondicionalmente.
Não exagero quando digo do amor de Lívia pelo tal rapaz era absurdo. O honrou a cada dia, o beijou deveras mil como se fosse o último de seus dias. O amou... foi tudo que ela sempre quis... Em Eduardo depositou a fé de uma vida, a fé de construir duas em uma só.
E quando lhe pediu que não faltasse com a sinceridade... lhe faltou.
Digo, caro leitor, nunca escondas, ou sequer mintas o que sente. Se não sabeis falar de amor, assim como eu, o demonstre de mil partes; há outras formas para mostrar que se ama, lá que meia estranhas mas, nem que seja o empurrando pelo escada, lhe dando soquinhos, chamando a atenção de mil e umas formas, quebrando a janela de sua casa com uma bola de futebol arremessada de uma pedala com a galera no meio da rua.
A provoque. O amor tem lá seus fetiches.
O amor esfria, mas para isso o ser humano se adapta para requentá-lo.
O amor quando se quer, é interminável. E o que o alimenta é a certeza de que não somos correspondidos. Mas Lívia não precisava ouvir tais palavras para amá-lo mais e mais. Ela não merecia. Ela o amava por si só, sem ao menos necessitar de motivos.

- O que quer que eu diga? - repetiu Eduardo, após colocar uma das mãos no bolso.
- O que sentes...
- Por ti?
- É...

Sempre esperando algo a mais. Pena ter escolhido o errado alguém para amar.



Continua...

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Espero que estejam gostando.
P.s: Mudei um pouco a cor do layout. Estou toda a ouvidos, caso vocês se sintam prejudicados na hora da leitura.
Perdão, precisava mudar um pouco.
E eu fico por aqui.
Fiquem com Deus
Meu beijo

8 comentários:

  1. ai meu Deus,o q será q ele vai responder =S,ela parece tão apaixonada e plo q vejo logo a frente,ele n merece =/
    Bom...tô perando =p
    O princípio jah me prendeu ao conto *.*
    Beijos!!!

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  2. Cara, gostei desse teu conto, hein?
    Sabe de quem eu lembrei? De Machado de Assis; ele tem esse costume de conversar com o leitor, uma interação desprentensiosa. Gostei mesmo, cara. Parabéns! Tá bem escrito.

    E o amor... ah, o amor é nossa cura e nossa maldição ao mesmo tempo, dependendo do desenrolar do mesmo.

    E em relação ao layout, eu gostava mais quando ele estava branco, porque dava um ar mais "clean" ao blog, mas olhe; você que sabe, viu? Pois o blog deve ficar com a cara que você quer que fique, do melhor jeito pra você. Enfim, que nossas opiniões, as dos leitores, sejam apenas secundárias e, por isso, virem depois das suas.

    Beijo grande da Ericona!
    Obrigada pelo carinho que tu sempre demonstras por mim. É bem recíproco. ;)

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  3. E então o que será, o que elaq vai dizer? Eu quero saber, e vou ler já a parte um.

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  4. Qual será o desfecho disso, ein? Vou aguardar, para ver, ou melhor, ler, rs

    Ah! Assim que li as primeiras palavras do terceiro parágrafo, já me lembrei de Machado de Assis. Que como a Erica disse: "tem esse costume de conversar com o leitor, uma interação despretensiosa."

    Beijos.

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  5. Eita Eduardo que não desinbucha homem....

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  6. Quero logo ver o resto.
    Muito bom
    adorei
    Beijos

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  7. Gosto de contos onde o personagem interage com o leitor...
    Parece engraçado...
    É como se houvesse uma pausa e então começássemos a conversar...
    Gostei...
    Fica muito pessoal a estória...

    Bjs

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